quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Sinopse de imprensa: plano B para CPMF prevê aumento de impostos sobre lucro de bancos

SÃO PAULO - Premido pelo risco de rejeição da CPMF, o governo, em busca de receitas para 2008, dirige suas atenções para os exuberantes lucros dos bancos e avalia a possibilidade de aumentar a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apenas das instituições financeiras, atualmente de 9%. As informações são do jornal "Valor Econômico".

As medidas compensatórias a uma eventual perda de R$ 40 bilhões da CPMF, mais algo em torno de R$ 20 bilhões da Desvinculação de Receitas da União (DRU) que deixariam de compor o financiamento dos gastos discricionários do governo federal, serão um mix de aumento de impostos, redução do superávit primário e redução do gasto corrente, de acordo com o jornal.

Fazendo uma exegese do que é possível em termos legais e políticos para aumentar as receitas tributárias no próximo ano, ontem um ministro que está no centro das discussões apontou o aumento da alíquota da CSLL sobre as instituições financeiras como a mais factível politicamente, disse o "Valor".

Essa é uma medida prevista na Constituição, que fala da possibilidade das contribuições sociais terem alíquotas e bases de cálculo diferenciadas por atividade econômica, pode ser regulada por medida provisória - o que exige quórum simples no Congresso - e tem que obedecer ao princípio da noventena (só pode entrar em vigor 90 dias após editada). Não rende muito, mas pode fazer diferença numa eventual necessidade de compor um pacote fiscal de emergência para 2008. O governo, segundo esse ministro informou, está se preparando para o caso de ter que montar o plano B entre o Natal e o Ano Novo, de acordo com o jornal.

O aumento do Imposto de Renda é possível, do ponto de vista legal, e foi considerado pelo governo. Mas ontem o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, descartou essa hipótese. Técnicos especialistas em tributação advertiram o governo que a edição de uma medida provisória com a elevação de alíquota do IR, mesmo que fosse só para pessoas jurídicas, teria que ser aprovada ainda este ano para poder vigorar em 2008. Essa é uma exigência legal para medidas provisórias que se referem ao Imposto de Renda. Se o Senado não aprovar a prorrogação da CPMF e da DRU, também não aprovará uma MP dessa natureza, pondera a área política do governo.

Outro problema seriam os transtornos que um aumento da tributação do setor produtivo pelo IR produziria sobre os investimentos estrangeiros no Brasil, ao descasar a alíquota total de 34% (25% de IR mais 9% de CSLL) que é calibrada com a tributação nos Estados Unidos. Assim, a empresa que faz o investimento aqui se compensa do imposto lá.

"A chave da questão é banco", comentou um técnico familiarizado com as discussões que estão ocorrendo na área econômica do governo, segundo o "Valor Econômico". O que, embora possa ter até apelo político já que há alguns anos essas instituições venham apresentando lucros excepcionais, tem custos. Um dos efeitos dessa medida seria o aumento da taxa de juros praticada pelo sistema financeiro.

Segundo dados da área tributária, neste ano até outubro a CSLL arrecadou R$ 28,6 bilhões - o que equivale a quase uma CPMF - e a projeção até o final do ano é que chegue na casa dos R$ 34 bilhões, representando uma média de arrecadação mensal de R$ 2,8 bilhões. Desse total, porém, R$ 3,7 bilhões foram pagos pelas instituições financeiras. O restante corresponde ao recolhimento do setor produtivo. Se fosse possível duplicar a alíquota dos 9% em vigor para 18% só para o sistema financeiro - o que é pesado - a receita adicional com essa medida, considerando também a noventena (poderia começar a ser cobrada só a partir de 1º de abril) giraria em torno de uns R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. Não é muito frente ao rombo que a rejeição da CPMF geraria, mas representa um valor significativo na composição de um novo ajuste fiscal.

A preocupação da área econômica do governo com o risco de perda da CPMF vai além da geração de novas receitas fiscais. "O que está acontecendo é que esse assunto está produzindo uma incerteza enorme para 2008 e justamente na hora em que as incertezas no front externo são crescentes", comentou uma fonte qualificada do governo, segundo o jornal.

Arrumar, nas últimas semanas do ano, um ajuste fiscal de $ 40 bilhões mais a DRU, onde o governo perderia a margem de manobra de outros R$ 20 bilhões, muda completamente a política fiscal que estava em curso, avalia essa fonte. Isso terá repercussões sobre toda a política macroeconômica, pode retardar ainda mais a retomada da redução da taxa de juros e protelar a obtenção de grau de investimento pelas agências de rating, que é esperada para 2008.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2007/11/29/sinopse_de_imprensa_plano_b_para_cpmf_preve_aumento_de_impostos_sobre_lucro_de_bancos_1098935.html





Para aprovar CPMF, Lula libera verbas para tucanos


Num esforço para conseguir votos tucanos para aprovar a CPMF, o governo privilegiou bancadas de Estados chefiados pelo PSDB ao destinar verbas federais para emendas dos congressistas ao Orçamento, revela reportagem da Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Das dez bancadas que mais tiveram verbas federais empenhadas em novembro, cinco são de Estados do PSDB: Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Roraima e Alagoas. Dessa lista, a bancada que mais recebeu recursos, disparado, foi a de Minas: R$ 86,4 milhões.

Foram liberados R$ 350 milhões no total para emendas de bancada até o dia 23 --em outubro foi liberado R$ 188 milhões. Essa modalidade de emenda é feita em conjunto por deputados e senadores do mesmo Estado para atender os pedidos do governador --em geral grandes obras.

Orçamento do DEM, a bancada gaúcha obteve R$ 15,3 milhões; a de São Paulo, R$ 10,5 milhões; e a de Roraima e a de Alagoas, R$ 10 milhões cada uma.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u349626.shtml

A primeira vítima da guerra da CPMF é a verdade

Numa guerra, a primeira vítima é, invariavelmente, a verdade. Não é diferente no caso da CPMF. Governo e oposição trombeteiam vitória. Para prevalecer sobre os adversários, o Planalto precisa anotar no painel eletrônico do Senado pelo menos 49 votos. Para melar o triunfo de seu rival, a oposição precisa dispor de 33 votos.

A composição do Senado é inelástica. Há na Casa 81 senadores. Portanto, alguém está mentindo. Para quem observa de longe, é inútil tentar identificar os mentirosos. Até porque todos são. Nos corredores do Congresso, a arte da mentira desenvolveu-se de tal forma que todos acreditam em si mesmos e ninguém acredita em ninguém.

Como previsto, PSDB e DEM realizaram nesta quarta-feira (28) uma reunião com os dissidentes do consórcio governista. Acorreram ao encontro cinco senadores filiados a legendas enganchadas no Planalto: Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mão Santa (PMDB-PI), Romeu Tuma (PTB-SP) e Expedito Júnior (PR-RO).

Somando-se esse naco de dissidentes à tropa oposicionista, de 27 senadores, chega-se a 32 votos. Com mais um, a CPMF iria, em tese, para o beleléu. E, a julgar pelos dados precários disponíveis, tucanos e ‘demos’ dispõem de mais votos. Para citar apenas dois exemplos: César Borges (PR-BA) e José Nery (PSOL-PA).

O que faz dos números da oposição uma mentira à espera de comprovação é a desconfiança com que os próprios líderes tucanos enxergam a convicção de alguns de seus supostos aliados. Por trás da suspeita esconde-se um detalhe funesto: a própria oposição admite que alguns de seus "soldados" carregam, no mais profundo recôndito da alma, um caráter capaz de sensibilizar-se com o tilintar de verbas e dos cargos.

De todo modo, a mentira da oposição, por ora uma verdade pendente de comprovação, leva sobre a mentira do governo uma grande vantagem: é uma mentira com rosto. Os votos supostamente contrários à CPMF têm cara. Apresentaram-se à luz dos holofotes no par de reuniões que a oposição logrou realizar.

A mentira do governo não tem, por ora, densidade de carne e osso. Em privado, Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, diz que o governo não dispõe senão de 33 votos absolutamente seguros. A conta subiu para 34 nesta quarta, com a adesão de Cristovam Buarque (PDT-DF). De resto, falta cara à conta que Jucá ostenta em público. Ou, por outra, a contabilidade do líder governista tem a face difusa de um governista padrão –um senador que condiciona as suas convicções à capacidade do governo de atender às suas pretensões.

Só a batalha final trará à luz a verdade escondida sob as sucessivas camadas de mentira recobertas pelo debate da CPMF. Só no acender das luzes do painel eletrônico, o país saberá se a vitória está com o governo ou com a oposição. E mesmo esta derradeira verdade será acomodada num pedestal de mentiras. Nem todos os votos contra ou a favor do imposto do cheque estarão assentados na convicção dos senadores. Longe disso: parte expressiva dos votos oculta interesses que, por inconfessáveis, precisam ser mentidos. Não há a essa altura, nenhum senador em dúvida. O que há é uma legião de senadores à espera de ser convencido$.

Fonte: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/#2007_11-29_02_25_07-10045644-0

Renan prepara, de novo, sua renuncia à presidência

Renan Calheiros tem mais uma estratégia para se manter no poder.

Renan Calheiros (PMDB-AL) pretende renunciar à presidência do Senado no início da próxima semana. A informação foi repassada pelo próprio senador lideranças do PMDB. O gesto é parte do acordo não-declarado que Renan fez com o consórcio governista, para obter, na próxima terça-feira (4), a absolvição no segundo processo em que é acusado de quebrar o decoro parlamentar.

Alertado acerca da intenção de Renan, o presidente interino do Senado, Tião Viana, prepara-se para convocar eleições internas. A escolha do sucessor de Renan terá de ocorrer cinco dias úteis depois da renúncia. Ou seja, confirmando-se a intenção do senador de abdicar do cargo no dia do julgamento, o plenário terá de indicar um substituto no dia 11 de dezembro. Repete-se agora o quadro que se havia desenhado uma semana atrás.

Renan programara sua renúncia para 22 de novembro, data em que deveria ter sido julgado. Mas foi surpreendido pela manobra de Arthur Virgílio (AM). Relator do processo na comissão de Justiça, o líder do PSDB retardou por uma semana a emissão de seu parecer, apresentado apenas nesta quarta-feira (28). Com isso, forçou Renan a renovar o seu pedido de licença, que expirou no dia 26. E embaralhou o julgamento do senador com a votação da emenda da CPMF.

A data prevista para a eleição do substituto de Renan não é boa para o governo. Estima-se que, dias depois, entre 14 e 18 de dezembro, o plenário votará, em primeiro turno, a renovação da CPMF. E o Planalto receia que o processo sucessório resulte em escaramuças que, mal administradas, podem engrossar o cesto de votos contrários ao imposto do cheque.

Cabe ao PMDB, dono da maior bancada (20 senadores), a indicação do nome do substituto de Renan. Embora a eleição já bata à porta, o partido ainda não se fixou num nome. Por ora, o único peemedebista a reivindicar o posto foi Garibaldi Alves (PMDB-RN), na foto lá no alto. Sobreviveu a uma articulação de José Sarney (PMDB-AP) em favor do nome de Edison Lobão (PMDB-MA). Mas, nos últimos dias, surgiram dois nomes "novos": Neuto de Conto (PMDB-SC) e Valter Pereira (PMDB-MS).

Por incrível que possa parecer, quem dá as cartas no processo de escolha do novo presidente do Senado é o próprio Renan Calheiros. O senador considera-se absolvido. Um sentimento que perpassa todos os partidos com assento na Casa. Graças à emenda da CPMF, cuja aprovação, se quiser, pode inviabilizar, Renan tem o Planalto nas mãos. De resto, mantém o poder de influência sobre a maioria do PMDB.

Decidido a levar suas pretensões às últimas conseqüências, Garibaldi Alves se deu conta de que a viabilidade de seu nome passa por Renan. Avisado de que o presidente licenciado do Senado não admitiria a escolha de um substituto que lhe fosse hostil, Garibaldi viu-se compelido a executar, nesta quarta-feira (28), um movimento constrangedor.

No primeiro julgamento de Renan, realizado em setembro, embora pudesse dispor do sigilo do voto, Garibaldi fizera questão de declarar, em discurso enfático, proferido do alto da tribuna do Senado, que votaria pela cassação. Agora, avisa que tende a fazer o contrário. Alega que já passou "a crise que ameaçava colocar a Casa de cabeça pra baixo."

Afirma, de resto, que o próprio Jefferson Peres (PDT-AM), relator do processo em que Renan é acusado de comprar duas rádios e um jornal por meio de laranjas, "reconheceu que não há provas muito evidentes". Bobagem. O relatório de Peres é explícito. Diz que há, sim, indícios eloqüentes do malfeito. Recomenda expressa e enfaticamente a cassação. O que Garibaldi deseja é amolecer as resistências de Renan. Daí o gesto incoerente.

O Planalto, que torcia o nariz para Garibaldi, passou a considerá-lo como uma opção menos pior. Receia que, derrotado, o senador engrosse o pelotão anti-CPMF. Além disso, o governo passou a considerar um detalhe que vinha lhe passando despercebido. Vitorioso, Garibaldi tende a fazer sombra no Rio Grande do Norte à liderança de José Agripino Maia (DEM-RN), hoje um dos mais ferozes adversários de Lula no Senado.

Nas eleições de 2010, o eleitor potiguar terá de mandar para o Senado dois senadores. Há três candidatos: Garibaldi, Agripino e a governadora do Estado, Vilma Maia. Dá-se como favas contadas a eleição de Vilma. E imagina-se que, eleito presidente do Senado, Garibaldi tenderá a prevalecer sobre Agripino.

A oposição aguarda pela decisão do PMDB para decidir o que fazer. Em diálogos preliminares, PSDB e DEM avaliaram que a escolha de Garibaldi é a que menos serve aos seus interesses na guerra da CPMF. Prefeririam que os peemedebistas lançassem um nome com menos densidade. Nesta hipótese, além de conquistar o voto de um Garibaldi ferido, lançariam uma candidatura alternativa, para marcar posição e tumultuar a arena governista às vésperas da votação do imposto do cheque.


Fonte: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/#2007_11-29_02_25_07-10045644-0

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Fonte: http://pierifernandes.fotoblog.uol.com.br/photo20071123203539.html

Senador denuncia "assédio moral" de Palácio por CPMF

O senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) denunciou nesta terça-feira a tentativa do Palácio do Planalto de oferecer vantagens em troca do voto favorável a matéria que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011.

Mesquita contou que Marcos Lima, sub-chefe de assuntos parlamentares do governo, passou a procurá-lo insistentemente para falar sobre a liberação de emendas no Acre. O senador acredita que isso aconteceu apenas como forma de convencê-lo a votar pela CPMF, já que o parlamentar ainda não decidiu seu voto.

O senador classificou a tentativa como "assédio moral". "É um assédio moral. Por que esse cara nunca me procurou na vida? Classifico a tentativa no mínimo como imoral", disse Mesquita.

Segundo informações da secretária de Marcos Lima, ele foi ao gabinete do senador após receber um aviso da equipe do parlamentar afirmando que havia problemas na tramitação de suas emendas. Ontem, ao chegar na sala do senador Mesquita foi recebido pelo chefe de gabinete do parlamentar que informou não haver o problema de tramitação. Ele então entregou um cartão de visita para a assessora e disse que ela poderia procurá-lo em caso de dificuldades. Lima alega que saiu do gabinete de Mesquita sem falar com ele.

À noite, a Secretaria das Relações Institucionais (SRI) divulgou nota dizendo que "somente autoriza os limites, o empenho das emendas propriamente dito depende dos próprios ministérios, da apresentação de projetos e atendendo a critérios técnicos". Desde junho, segundo a nota, as emendas individuais dos senadores estão sendo liberadas, atingindo um total de 90%.

A nota diz ainda que "é importante ressaltar que estamos a pouco mais de um mês do final do ano e historicamente os recursos são liberados no fim de cada período e não há nada de excepcional nesta ação". O ministério diz ainda que faz parte de sua rotina acompanhar a liberação das emendas como parte do relacionamento com os parlamentares.

O ministério afirma na nota que lamenta que tenha acontecido "uma falha de comunicação no contato entre a SRI e o gabinete do senador Geraldo Mesquita, como o próprio senador admitiu não houve nenhuma conversa entre o Senador e o dirigente da SRI".

Segundo a nota ainda, Lima foi recebido cordialmente no gabinete do parlamentar e, como foi informado que o senador estava satisfeito com relação a suas emendas, deixou as dependências imediatamente. " Em nenhum momento a liberação de emendas foi utilizada como moeda de troca e a soberania entre os poderes Legislativo e Executiva sempre foi respeitada", finaliza a nota.

O parlamentar disse que, mesmo assim, não decidiu como votará em relação à CPMF. "Eu estou aborrecido com essa situação, mais ainda não tomei a decisão. Não posso perder o parâmetro da responsabilidade por causa disso", afirmou.

O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), comentou as acusações do senador de sua bancada. Ele lembrou que ontem, durante a reunião de coordenação política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que faria mais interlocuções com os senadores. Raupp acredita que Mesquita interpretou a tentativa equivocadamente. O líder também defendeu a aproximação do Palácio do Planalto.

"Sempre reclamamos que o Palácio não fazia a interlocução com a gente. Agora, o Geraldo deve ter interpretado de uma maneira errada. Eu não acredito; sinceramente; não acredito que eles tenham feito isso", disse Raupp.

Mesquita ganhou notoriedade no Senado quando foi obrigado a sair do PSol quando a presidente do partido, a ex-senadora Heloísa Helena (PSol-AL), soube que ele cobrava parte dos salários dos funcionários para contratá-los em seu gabinete. Mesquita disse não sabia da prática e depois descobriu que uma funcionária de seu gabinete é que operava "mensalinhho" citando seu nome sem autorização. O Senado não puniu o senador por quebra de decoro parlamentar.

Fonte: http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200711272250_RED_54477624

Maria Clara Cabral
Jeferson Ribeiro
Direto de Brasília

Jefferson: aprovar CPMF é dar 3º mandato a Lula

Para o presidente do PTB, Roberto Jefferson, o Executivo trabalha para aprovar a prorrogação da CPMF e garantir a viabilidade do terceiro mandado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A afirmação foi feita na reunião da Executiva Nacional da legenda, realizada ontem. No encontro, o partido não fechou questão sobre o voto de sua bancada, liberando os congressistas para votar como quiserem. Jefferson, entretanto, recomendou voto contrário à continuidade do imposto até 2011.

"Aprovar a CPMF é dar o terceiro mandato para o Lula, daí para frente só o imponderável. A Bolívia está a beira da secessão, na Venezuela pode haver derramamento de sangue, dizer que não vai acontecer no Brasil é bobagem", disse Jefferson, segundo registra a Folha de S.Paulo. Ele comparou a aprovação do imposto do cheque ao "ovo da serpente", referindo-se à possibilidade de Lula prosseguir na chefia do Executivo.

O petebista criticou o que chama de excesso de concentração de dinheiro nas mãos do governo, afirmando que isso traz "um sentimento bolivariano, chavista, de terceiro mandato". Ele acredita que o Estado não precisa dos R$ 40 bilhões de receita que viriam da CPMF, já que "a arrecadação é crescente".

Teste para a oposição
Destacou que a batalha pela CPMF funciona como um primeiro teste da oposição para o enfrentamento com o governo. "Se (a oposição) conseguir derrotar o governo, irá se rearticular e aí acaba o terceiro mandato", analisou.

Dilma, "um avião"
Jefferson disse ainda que o PTB poderá apoiar a atual ministra Dilma Rousseff nas eleições de 2010. Ele justificou sua posição dizendo que Dilma é "um avião" e que ela "moralizou a Casa Civil".

Fonte: http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200711290549_RED_54696344 dia 29/11/2007