Por Adriana Fernandes
Brasília, 06 (AE) - Pressionada pelos governadores tucanos a negociar com o Planalto a prorrogação da CPMF, a bancada do PSDB no Senado resiste ao assédio do governo. Hoje (06), o presidente Nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), afirmou que as portas do governo para as negociações sobre a prorrogação da CPMF estão abertas, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, "não colocou a mão no bolso". Ele explicou que o gesto "de colocar a mão no bolso" seria propor uma "poderosa" renúncia tributária.
Ao deixar o Ministério da Fazenda, Guerra assegurou que os senadores do partido não darão "nenhum voto" favorável à emenda constitucional que prorroga a CPMF. Segundo ele, a possibilidade de o partido dar um voto "é zero". Na avaliação de Guerra, neste momento, o governo estaria derrotado nas negociações. "O governo tem uma base grande, mas não tem voto", afirmou.
O presidente do PSDB rechaçou avaliações de que o partido sairá "rachado" depois da votação da emenda da CPMF, devido ao fato de os governadores tucanos serem favoráveis à prorrogação. "Não fica rachado nada", afirmou. Questionado se os governadores não teriam peso no partido, já que a bancada do Senado decidiu votar contra a CPMF, Guerra respondeu eles tem um peso "enorme". "Quem tem peso mesmo são eles. Mas a bancada tomou a posição e não há argumento para mudar a nossa posição", disse. A uma pergunta se até a votação algum argumento do governo poderia fazer os senadores tucanos mudarem de posição declarou: "Não vou trabalhar sob hipótese". Guerra ironizou as declarações do ministro da Fazenda, de que a CPMF será aprovada com votos da oposição. "Não conheço a expertise do ministro com relação a votos no Senado. Eu acho que ele está enganado". Segundo o senador, o governo tem excesso de arrecadação e o que falta é gerenciamento. "O governo gasta demais, gasta mal e faz investimentos de menos", criticou. Para Guerra, o governo precisa dar eficiência aos gastos e controlar a máquina pública. "O Brasil tem condições reais e financeiras de viver sem a CPMF", disse.
Guerra disse que esteve na Fazenda para uma audiência pelo secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, que discutiu com ele a fiscalização feita no partido. Segundo Guerra, a Receita iniciou, depois do escândalo do "mensalão", fiscalizações nos partidos políticos, inclusive no PSDB. O senador disse que não está preocupado e que o PSDB já apresentou sua defesa perante a Receita. Acrescentou que não vê conteúdo político na fiscalização. "O dia em que a Receita fizer política, o País está perdido", afirmou. Ele estava acompanhado do vice-presidente partido, Eduardo Jorge.Agência Estado
Nenhum comentário:
Postar um comentário