Agência Estado
O presidente da multinacional alemã Pelzer, seu vice-presidente e um diretor são suspeitos de encomendar o assassinato de um gerente que teria descoberto fraudes na linha de produção da empresa em Taubaté, no Vale do Paraíba, foram presos ontem. A denúncia à polícia foi feita pela pessoa encarregada de intermediar a contratação do pistoleiro. Depois de serem iniciados por "formação de quadrilha e estelionato", como são primários e têm residência fixa, os três foram liberados
Com sede na Alemanha, essa empresa tem instalações em vários países europeus, asiáticos e americanos. Há quatro unidades brasileiras, entre elas, essa de Taubaté, com cerca de 600 profissionais, que fabrica de autopeças e equipamentos veiculares e é presidida por Johann Hoterman
A fraude descoberta pelo gerente Toshio Nakamoto, que teve sua morte encomendada, foi a adulteração no material para a fabricação de pára-choques, que torna o custo da produção menor, mas também alteraria a resistência da peça.
Segundo a polícia, o temor de serem denunciados levou os três executivos a pedirem a um intermediário que contratasse um matador de aluguel, a quem pagariam, em duas parcelas, um total de R$ 450 mil. Ao fazer a denúncia o homem - cuja identidade não foi revelada - apresentou um cheque no valor de R$ 250 mil, assinado pelo presidente e pelo diretor financeiro da empresa, e a gravação de um telefonema que ele recebeu do presidente da Pelzer, conforme transcrição abaixo:
Denunciante: Sabe por que? Você sabe que eu jamais faria um negócio desse. Eu não tenho, eu não tenho coração para fazer isso. Mas eu conheço as pessoas que vão fazer isso, certo
Mandante - Ham ham.
Denunciante - E o Toshio, e o Toshio você sabe que o Toshio não é uma pessoa boba, ele é esperto.
Mandante - Sei, claro.
Denunciante - E a gente não pode fazer um negócio desse aí na Pelzer, em Taubaté.
Mandante: Sim, claro, claro, claro.
Denunciante - E outra coisa também, isso é uma coisa muito séria porque o homem também tem família, né?
Mandante - Sim.
Denunciante - Depois vocês não vão se arrepender não?
Mandante - Não, não, não, não, não.
Denunciante - Tá bom então. Então a gente se fala na segunda-feira, tá bom
Mandante - Tá bom. Segunda-feira, 14h.
Denunciante - Tá bom então, Johann.
Mandante: Tá bom, obrigado.
A fita ainda não foi periciada para confirmar se é mesmo a voz do presidente Johann Hoterman. O advogado Daniel Gomes, que defende os suspeitos, nega que eles tenham encomendado uma execução. Segundo ele, foi acidentalmente que o cheque chegou às mãos do denunciante. No Jornal da Globo ele fez a seguinte declaração: "A quantidade de cheques que a empresa faz para pagar seus parceiros, seus fornecedores, seus prestadores de serviços é inúmera diariamente. Então, um desses cheques, foi levado por alguém por engano a quem quis fazer denúncia. Não há absolutamente nada de verdade nisso"
Segundo o delegado Marcelo Duarte Ribeiro só a perícia nas gravações poderá determinar o rumo das investigações e os possíveis crimes cometidos: "O Brasil não pune atos preparatórios, então não ocorreu, ocorreu uma ameaça, então a ameaça está sendo apurada e na seqüência nós chegamos nesse eventual estelionato que nós vamos estar checando ele com o exame pericial"
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