Pequeno, mas milionário. Assim pode ser classificado o PTB de Juatuba, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com 13.071 eleitores. De 1998 a 2007, passaram por uma das contas do partido pelo menos R$ 9,5 milhões. Na época em que movimentou essa quantia, a legenda era presidida por Ronaldo Antônio Costa, cunhado e assessor do presidente da Confederação Nacional de Transportes (CNT), o ex-vice-governador Clésio Andrade (PR). Costa é também o diretor-presidente do Instituto J. Andrade, que pertence à família de Clésio. A instituição é investigada pela Polícia Federal por causa de movimentações financeiras incompatíveis com o lucro. De 1998 até hoje o PTB de Juatuba, terra natal de Clésio, prestou contas para Justiça Eleitoral apenas sobre os gastos dos anos de 1999 e 2003.
Os R$ 9,5 milhões estavam depositados em apenas uma das contas correntes abertas em nome do PTB de Juatuba em uma agência do Banco Itaú, na cidade. Ela foi irrigada com recursos da CNT, Holding Brasil S/A, empresa que pertence a Andrade. Parte desses valores foi usada para financiar a campanha do pai de Clésio, Oscar Soares Andrade, à Prefeitura de Juatuba, em 2004, apesar de não aparecer na prestação de contas à Justiça Eleitoral. Ele foi derrotado. A campanha de Oscar Andrade recebeu R$ 1 milhão. Para uma conta do Banco Rural em nome de Ronaldo Costa foram transferidos R$ 2,2 milhões.
A movimentação do PTB de Juatuba é investigada pela Polícia Federal (PF). Nas próximas semanas, a PF deve tomar o depoimento dos dirigentes do partido em Minas. O atual presidente do PTB de Juatuba, Heleno Maia, não quis dar entrevistas. Disse que só vai falar com a imprensa sobre esse assunto depois que prestar depoimento. Maia assumiu em julho o comando do partido em Juatuba, depois que Costa foi destituído do comando por determinação do presidente do PTB, o ex-deputado federal Roberto Jefferson (RJ), autor das denúncias que deram origem às investigações sobre o mensalão.
A indicação de Maia também partiu de Jefferson; O ex-deputado e sua filha, a vereadora fluminense Cristiane Brasil (PTB), foram padrinhos do casamento de Maia, no último dia 30 de novembro. Nessa conta ainda tem um saldo de R$ 700 mil. A direção nacional do PTB orientou o partido em Juatuba a não mexer nesse dinheiro, até que as investigações a respeito dessa movimentação sejam encerradas.
A PF também investiga movimentação de quantias elevadas em outras contas abertas pelo PTB de Juatuba na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil. Segundo um petebista, uma dessas contas teria movimentado R$ 7 milhões. A suspeita é de que existam, no total, cinco contas com movimentações incompatíveis com a estrutura do partido, que não tem sede própria e até setembro tinha apenas cerca de 100 filiados na cidade.
Determinação
O presidente da legenda em Minas, secretário estadual de Desenvolvimento Urbano, Dilzon Mello, confirmou a indicação de Jefferson. Segundo ele, todas as comissões do PTB no interior eram provisórias, por isso foram trocadas recentemente. No caso de Juatuba, segundo ele, houve uma determinação de Jefferson para que Maia assumisse. "É porque ele vai ser candidato a prefeito na cidade", afirmou Dilzon.
Maia deve ter como principal adversário o irmão de Clésio, que tem o mesmo nome do pai, Oscar Andrade Júnior. Dilzon afirmou também já ouviu "rumores" sobre a movimentação milionária do PTB de Juatuba, mas garante que não foi comunicado oficialmente sobre a situação das finanças do partido no município. Ele disse que o PTB mineiro nunca repassou dinheiro para Juatuba e nem a outro município, pois tem como única fonte de renda, além da contribuição dos militantes, recursos do Fundo Partidário Nacional. "Do fundo recebemos apenas R$ 5 mil por mês".
Por meio de sua assessoria de imprensa, Clésio Andrade informou que a CNT nunca fez doações para campanhas políticas e que a Holding Brasil S/A é uma empresa particular. A assessoria também afirmou que o ex-governador não foi notificado das investigações da Polícia Federal.
O ex-deputado federal Roberto Jefferson foi procurado pelo Estado de Minas, mas não foi encontrado. A reportagem deixou recado em seu escritório no Rio de Janeiro e até o início da noite, ninguém retornou as ligações.
Alessandra Mello - Estado de Minas
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