quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

PALHAÇADAS EM VOTAÇÕES NO SENADO (COM TODO RESPEITO AOS PALHAÇOS...TRABALHADORES DE UMA PROFISSÃO DIGNA!!!)

Pessoal:
Mesmo após um dia de labuta, super cansado, mas revoltado com episódio que vi na TV Senado neste final de noite e início de madrugada, não consegui me conter e escrevi este E-mail como forma de um depoimento pessoal neste momento de tanta polêmica em torno da CPMF e da votação no Senado.
Talvez pelo pecado de nestes últimos dias só estar tendo tempo de acompanhar notícias através da grande mídia, e em especial pela Globo, não tive a compreensão de que durante esta sessão plenário do senado, além da votação da prorrogação do prazo da CPMF, tb tivemos logo em seguida a votação DA CONTINUIDADE OU NÃO DA DRU (DESVINCULAÇÃO DAS RECEITAS DA UNIÃO). Acredito que muitas pessoas também não sabiam que esta última matéria estava em pauta, ou talvez se soubessem talvez não tenham entendido a importãncia contextual deste segundo tema.
Vendo a sessão, logo entendi porque tal segundo tema, apesar de para mim ser de maior envergadura que a própria CPMF, foi completamente secundarizado pela grande mídia.
Antes de mais nada, gostaria de deixar claro meu posicionamento sobres estes pontos. Sou (ou era, pq passou a votação) favorável a prorrogação da CPMF, SIM, mas com redução gradativa da alíquota do imposto e com destinação deste EXCLUSIVAMENTE PARA A ÁREA DA SAÚDE! E também sou daqueles que defende O FIM DA DRU, por entender esta como um dos mais cruéis mecanismos de retirada de recursos da área social para a celebração dos compromissos que este governo insiste em bancar, com vistas à manutenção do faturamento exorbitante que tem tido o setor econômico bancário-financeiro, principalmente o internacional, através do pagamento de dívidas pelo Estado Brasileiro. Ou seja, sou um daqueles que defendem um plus total de investimento da área social, com a ruptura da política econômica que vem promovendo aí lucros recordes para o capitalismo financeiro.
Como todos verão nos noticiários, o governo não conseguiu os 3/5 dos votos necessários para prorrogar a CPMF (ou seja, 49 votos)...festa da oposição no plenário...mas logo em seguida se sucedeu a votação da DRU, e aí ficou bastante claro que se o primeiro ponto de votação gerou tanta polêmica, o segundo era um consenso já firmado no imaginário de nosso ilustradíssimo setor político..."Não podemos mexer no equilíbrio financeiro-fiscal deste país, temos que votar com responsabilidade".
Senadores como Demóstenes Torres (DEM-GO) e Heráclito Fortes (DEM-PI), árduos defensores do fim da CPMF, se colocaram sendo "prudentes defensores da continuidade da DRU". Triste também foi ver vários setores do dito "campo de esquerda", pertecentes ao PCdoB, PT, PSB, votando "a favor da permanência da DRU", num posicionamento totalmente contraditório à trajetória destes partidos em tempos não tão distantes. O mais emblemático para mim foi o senador Sibá Machado (PT-AC) sendo advertido em pleno plenário pelo senador Efraim Moraes ( DEM-PB). Sibá fazia o triste discurso já previsto pelo PT, onde defendia a continuidade destes dois mecanismos tecendo duras críticas ao PSDB que, em tempos passados, no momento da aguda crise econômica do final da década de 90 recorreu a estes mecanismos (no governo FHC) para, segundo ele, se safar da crise econômica daquele tempo. Efraim Moraes interpretou o discurso de Sibá Machado como sendo de "um tom extremamamente radical", e o advertiu de que "a CPMF só foi um recado mandado para o governo...se continuar com estes radicalismos, nem com a DRU poderão contar mais". Apesar de não entender bem aonde estava a radicalidade do discurso de Sibá Machado, fica bem claro nas palavras de Efraim Moraes a forma como a oposição de direita vem tratando, numa mistura de quanto pior melhor, de pirraça política e de barganha questões tão sérias como estas. A fala de Heráclito Fortes foi tb bem emblemática disto: " a não prorrogação da CPMF foi uma derrota pedagógica do governo"...uma pedagogia nem um pouco freiriana, pelo menos no meu entender...eheheheheh.
A continuação da DRU foi aprovada por 60 votos contra 16 (reparem na diferença gritante em relação à votação da CPMF). Interessante foi ver o jogo de cena de figuras públicas do PSDB como o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) e do DEM como Agripino Maia (DEM-RN), que mesmo sabendo que a maioria dos senadores de seus partidos iriam votar a favor da continuidade da DRU, e também sabendo que o previsto era que a matéria fosse aprovada, fizeram lá as vezes de bons moços, dizendo que o voto de seus partidos era pela extinção da DRU (e blablabla), se apropriando do discurso de setores da esquerda (que acho coerente) de que "acabou-se a CPMF, mas o fim da DRU irá permitir que não haja buraco dentro dos investimentos na área social...que o que vai acontecer é o governo parar de ficar canalizando dinheiro da área social para pagamento de dívidas, pagando juros a banqueiros internacionais e querendo tampar o buraco na área social com a CPMF, que através do consumo incide principalmente sobre os setores populares"...Para um inadvertido que não conhece a história política destes indivíduos e de seus partidos, pode-se até cair no conto do vigário achando mesmo que estes caras defendem isto tudo, "do fundo dos seus singelos coraçõezinhos" ...bem é só olhar para o passado não muito distante destes para saber quem são estes indivíduos "sacrossantos", de fato!!! Fizeram aí sua pose para tentar, através da manipulação da grande mídia se saírem como os "mocinhos" da história toda, tenando aó promover suas imagens!!!
Mas neste cambalacho todo, vale a pena parabenizar a postura de um político, o senador José Nery (PSOL-PA). Mesmo ele não sendo do agrupamento político-ideológico do qual faço parte, tenho que reconhecer a coerência que apresentou. Teve uma postura corajosa de colocar claramente seu posicionamento, que era de ser contra a CPMF, mas também sendo contra a continuidade da DRU, discutindo com propriedade o posicionamento que os Athur Virgílios da vida e outros picaretas banalizaram em seus discursos (que só falam coisas só da boca para fora). Inclusive o comportamento dos demais senadores durante a fala de José nery foi pior que muita Assembléia Estudantil que participei...desrespeitavam e faziam pouco caso da fala do cara o tempo todo, principalmente vários senadores agremiados aos "revolucionários partidos defensores dos valores democráticos", partidos citados acima.
Enfim, me senti ofendido diante de tanta hipocrisia e de tanto jogo baixo. Achei tudo isto a maior tiração de onda com a cara de qualquer cidadão, principalmente daqueles que nem imaginam todo o grau de papagaiada que está acontecendo, principalmente por esta filtragem seletivo-ideológica dos discursos e das informações que a grande mídia faz.
Mas uma questão vai ser interessante a partir deste momento, como desdobramento. O governo passará por um dilema. Até agora este tem sido um governo que apesar de estar promovendo condições para lucros recordes no país do setor financeiro internacional, vende a torto e a direito a imagem de que também ao mesmo tempo vem aumentando "significativamente" os investimentos na área social do país. Agora que não se terá mais "a verbinha extra da salvação" da CPMF, que permitia se cobrir os buracos na área social que a DRU vinha deixando em aberto ao longo destes anos. Consequentemente serão menos recursos no caixa total e o governo talvez não terá contabilidade para saciar tanto a avidez do capitalismo internacional como a necessidade sempre gigantesca de investimento no setor social deste Brasil de tanta pobreza e miséria, consequência da máquina de produzir desgraças derivadas da nossa condição periferica dentro desta nossa ordem social.
E aí, qual a escolha que o governo vai fazer? Pra onde vão as receitas da DRU? Se privilegiará investimentos dentro da própria área social (ou manutenção dos recursos na área social) ou transferência de recursos, através de pagamento das dívidas para os sanguessugas internacionais que chantageiam com instabilização a nossa economia o tempo todo através dos seus riscos-brasis, fuga de capitais, quedas nas bolsas de valores, etc.
Talvez se gerou uma situação que se terá que escolher: banqueiros ou o povo!!!
Aguardemos o desenrolar da história para ver!
Um abraço para Todos e Todas
Só algumas palavras para desabafar
Vinícius Ximenes
Estudante de Medicina-UFPB

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