sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Planalto faz "arrastão da CPMF" no final de semana

Por ordem de Lula, os principais articuladores políticos do governo - do ministro José Múcio ao líder Romero Jucá - farão durante o final de semana um derradeiro esforço para tentar arrebanhar os votos que faltam ao governo para aprovar a CPMF. Planeja-se o que um auxiliar de Lula chamou de "arrastão" do imposto do cheque. Buscam-se pelo menos quatro votos.
Em privado, o presidente disse que, se necessário, ele próprio vai telefonar para governistas dissidentes. Cogita pedir-lhes pessoalmente que reconsiderem o voto. Nesta quinta-feira, o Planalto refez as contas: dos 49 votos de que necessita para renovar a CPMF, só dispõe de 46. Ainda assim, tem dúvidas em relação a um deles: Osmar Dias (PDT-PR).
Para desassossego de Lula, em duas semanas de assédio diuturno a oposicionistas e a governistas sublevados, o governo não logrou virar um mísero voto no Senado. Conseguiu apenas consolidar os votos de senadores que se declaravam "em dúvida", impedindo que engrossassem a contabilidade da oposição. Caso dos peemedebistas Pedro Simon (RS) e Valter Pereira (MS) e dos pedetistas Jefferson Peres (AM), Cristovam Buarque (DF) e Patrícia Sabóia (CE).
Eram votos que, por duvidosos, PSDB e DEM eximiram-se de computar na sua planilha. Assim, por ora, resistem ao esforço de cooptação do governo 35 senadores: os 14 do DEM, os 13 do PSDB, um do PSOL e sete insurretos de legendas associadas ao consórcio governista: 1) Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE); 2) Mão Santa (PMDB-PI); 3) Geraldo Mesquita (PMDB-AC); 4) Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR); 5) Romeu Tuma (PTB-SP); 6) César Borges (PR-BA); 7) Expedito Júnior (PR-RO).
Embora ainda acalente a expectativa de atrair algo como três votos tucanos e um "demo´, o Planalto decidiu direcionar o arrastão do final de semana aos dissidentes do seu próprio agrupamento políticos. Jogou-se a toalha em relação a três: Jarbas, Mão Santa e Mozarildo. Os operadores políticos de Lula vão agarrar nos calcanhares dos quatro restantes: Mesquita, Tuma, César, e Expedito.
Se bem sucedida, a estratégia governista reduzirá o exército da oposição a 31 senadores --um a menos do que precisam o PSDM e o DEM para enterrar a CPMF. O diabo é que, por enquanto, os quatro alvos do Planalto vêm se demonstrando um grau de resistência que impressiona o governo. A essa altura, os aliciadores governistas já nem oferecem vantagens como liberação de emendas orçamentárias e cargos. Prefere-se perguntar aos amotinados o desejam do governo. O Planalto mostra-se disposto a atendê-los em tudo.
Na segunda-feira, véspera do dia em que se prevê a votação do primeiro turno da emenda da CPMF no plenário do Senado, Lula reunirá em seu gabinete os ministros que compõem a coordenação do governo. Nesse encontro, a contagem dos votos será refeita. O presidente disse a seus auxiliares que não contempla outra hipótese senão a obtenção dos três quintos (49 votos). É isso ou a derrota.

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