Por Elizabeth Lopes
São Paulo, 06 (AE) - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou hoje (06) que não teria criado a TV pública, alegando que apesar de acreditar que ela está sendo dirigida por pessoas corretas, citando especificamente a jornalista Tereza Cruvinel (presidente da Empresa Brasil de Comunicação), existe sempre o risco de a emissora se transformar em um instrumento de propaganda deste ou de outros governos. "Eu não faria a TV pública", reiterou, em sabatina promovida pelo jornal "Folha de S.Paulo".
Ao ser informado que o ex-ministro Delfim Netto faz parte do conselho da TV pública, FHC ironizou. "Aumenta a minha dúvida (sobre a emissora)". E continuou: "Quem apoiou o governo militar e, agora apóia o governo Lula, realmente é muito coerente."
Na sabatina, o ex-presidente tucano falou sobre vários temas. Disse, por exemplo, que a entrada da Venezuela no Mercosul não deveria ter ocorrido porque aquele país não está cumprindo com os requisitos comerciais básicos. "O debate (sobre a entrada da Venezuela no Mercosul) está equivocado, é um debate politizado, não houve a discussão das questões comerciais", emendou. Ao falar do presidente Hugo Chávez, FHC disse que ele é audacioso e nunca houve um líder com tanta audácia no Continente. Apesar disso, acredita que ele não representa uma ameaça ao Brasil, mesmo que esteja investindo muitos recursos em armamento.
Antes de classificar Chávez de audacioso, o ex-presidente tucano disse que Lula é conservador e moderado. Por isso, considera pouco provável que a discussão em torno do terceiro mandato vá prosperar, por conta deste perfil do petista. "Acho difícil fazer uma aposta radical (3º mandato) quando a sociedade não quer", avaliou.
Fernando Henrique comentou também a respeito da disputa interna de sua legenda em relação às eleições presidenciais de 2010. Segundo ele, o PSDB tem "excesso de gente elegível", citando os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves. E usou o seguinte exemplo para falar dessa disputa: "É igual marido e mulher, brigam e depois fazem as pazes, e fica melhor ainda." Depois da citação, alfinetou o presidente Lula, ao dizer que estava parecendo ele, ao fazer uso de "exemplos domésticos" para se expressar.Agência Estado
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