sábado, 8 de dezembro de 2007

Lula avalia nome de Quintanilha para o Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que longe dos holofotes conversa com os líderes do PMDB, já aceitou a recusa de José Sarney (PMDB-AP) em presidir o Senado. E começou a avaliar para o cargo o nome de Leomar Quintanilha (PMDB-TO), presidente do Conselho de Ética e fiel escudeiro de Calheiros. A resposta de Sarney a Lula surgiu numa saia-justa em pleno Palácio do Planalto, na quarta-feira à noite, durante reunião com cinco líderes do PMDB. De um lado da mesa, houve o pedido do atual presidente da República para que Sarney aceitasse o cargo para o bem do governo. De outro, um inusitado silêncio que constrangeu o ambiente e deu o assunto por encerrado.
O esforço para convencer o ex-presidente da República e ex-presidente do Senado - por dois mandatos - caiu por terra. À mesa, Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo no Congresso, Valdir Raupp (RR), líder do PMDB no Senado, Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara, e o deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB, chegaram à conclusão de que Sarney não quer em seu currículo um mandato tampão em meio a uma crise que desgastou a Casa.
"Por mim, aceito um nome que o PMDB indicar", disse Lula, ao iniciar a conversa. "Mas prefiro que seja você, Sarney, que consegue unir o PMDB e o Senado."
Diante do olhar inquieto da filha, Roseana, atrás de uma resposta, e dos outros presentes, Sarney fechou o semblante e baixou os olhos, sem uma palavra. O próprio presidente Lula colocou panos quentes sobre o episódio e tratou logo de mudar de assunto.
"Vamos falar de CPMF!"
Mesmo assim, Sarney saiu mudo do encontro. O episódio deu a certeza ao presidente Lula de que dificilmente o PMDB encontrará um candidato de consenso tanto dentro do partido quanto na oposição. Com o aval do Planalto e para afastar o clima de pessimismo na Casa, os tucanos e democratas aceitariam o ex-presidente, dizem interlocutores. Ainda há esperanças para o governo. Amigos de Sarney dizem que ele não quer correr o perigo de se submeter a uma disputa, e só espera ser aclamado. Se o caminho for pavimentado, ele aceita o cargo. Por isso ele viajou na quinta-feira com o presidente Lula para o Pará. Lula, mais uma vez, tentaria quebrar o gelo do aliado durante a viagem.
Independentemente disso, o PMDB já trabalha o nome de Quintanilha, de Garibaldi Alves (PMDB-RN) - com apoio de Temer e do sobrinho Henrique Eduardo Alves - de Valter Pereira (MS), de Neuto de Conto (SC) e de Pedro Simon (RS), lançado em última hora.
Na avaliação dentro da bancada, Neuto e Valter têm chances mínimas por serem suplentes (de Leonel Pavan, vice-governador de Santa Catarina, e do falecido Ramez Tebet, respectivamente). Aos líderes do PMDB, depois da reunião de quinta, Lula teria deixado claro o seu veto a Garibaldi. Em parte. O Planalto ainda não aceitou a atuação de Garibaldi como relator da CPI dos Bingos, na qual o senador mirou Paulo Okamotto, amigo de Lula e presidente do Sebrae. Garibaldi ainda pediu a cabeça de Renan, que controla 13 votos da bancada.
JB Online - Leandro Mazzini

Nenhum comentário: